Durante séculos, foi preciso pedir licença para passar na Rua Direita. Hoje, dá para a percorrer de uma ponta à outra sem desviar de ninguém.

Quem cresceu em Viseu lembra-se. A Rua Direita era o sítio onde se ia comprar, passear e ver quem estava. Andava-se aos encontrões, parava-se a cada montra, cumprimentava-se meia cidade pelo caminho. Hoje há dias em que o único movimento é o de quem vai para outro lado.

Primeiro, a verdade que o nome esconde: a Rua Direita não é direita. É estreita, sobe, desce e dá voltas. No tempo dos romanos já era o eixo principal da cidade, de norte a sul, e mais tarde ligava duas das portas da muralha. Durante séculos foi a principal rua de comércio de Viseu, e também lhe chamavam Rua das Tendas.

O que mudou

A rua ficou exatamente onde estava. Os clientes é que se mudaram. Primeiro para os centros comerciais, onde há estacionamento, ar condicionado e tudo no mesmo sítio. Depois para o telemóvel, onde nem é preciso sair do sofá. Os próprios comerciantes apontam o resto: rendas caras, donos a envelhecer e montras que continuam iguais às de há 20 anos.

A Rua Direita não perdeu os clientes de um dia para o outro. Perdeu-os um de cada vez, enquanto a montra ficava igual.

O que é que isto tem a ver com a sua marca?

1. A localização já não é uma estratégia. Durante séculos, estar na Rua Direita bastava: os clientes passavam à porta. Hoje, a rua principal dos seus clientes chama-se Google, Instagram ou loja online. Se não estiver lá, está às moscas.

2. Os clientes mudam de rua sem avisar. Não reclamam nem mandam cartas. Simplesmente deixam de aparecer. Quando se nota, já é tarde.

3. Tradição não é o mesmo que ficar parado. Ter história é uma vantagem enorme, se for contada. Uma montra de há 20 anos não conta história nenhuma. Diz apenas que ninguém mexe nela há 20 anos.

Três perguntas para esta semana

  • Onde é que os seus clientes “passeiam” hoje? E a sua marca está lá?
  • Quando foi a última vez que mudou a montra, física ou digital?
  • O que é que a sua marca tem de histórico que ainda não contou a ninguém?

Verdade seja dita.

Ricardo MatiasVolupio