Viseu tem quase duzentas rotundas. Andar às voltas é uma especialidade da casa. O problema é quando as empresas fazem o mesmo com o marketing.
Portugal é o segundo país do mundo com mais rotundas por habitante, só atrás de França. E dentro de Portugal, Viseu ganhou uma alcunha que toda a gente conhece: a cidade das rotundas.
Uma rotunda tem uma grande vantagem: nunca obriga a parar. E um grande perigo: também nunca obriga a sair.
O marketing em rotunda
Conhece o filme. Publica-se no Facebook porque toda a gente publica. Muda-se o logótipo porque o antigo “já cansa”. Experimenta-se o TikTok durante três semanas. Volta-se aos folhetos. Faz-se uma promoção. Depois outra. A empresa nunca para. E também nunca chega a lado nenhum.
Isto não é falta de trabalho. É excesso de voltas.
Uma rotunda serve para escolher uma saída. A estratégia também.
E agora a melhor parte
Durante anos, gozou-se com Viseu por causa das rotundas. E o que fez uma confeitaria da cidade? Criou um doce. As Rotundinhas, feitas pela Confeitaria Amaral, têm o nome inspirado precisamente na alcunha. A cidade pegou numa piada e transformou-a num produto que as pessoas fazem questão de provar.
Há agências que cobram fortunas para explicar isto num workshop.
O que é que isto tem a ver com a sua marca?
1. Movimento não é direção. Estar sempre a fazer coisas dá a sensação de progresso. Mas só há estratégia quando se escolhe uma saída e se aceita deixar as outras para trás.
2. Andar às voltas gasta gasolina. Cada ação sem objetivo consome orçamento, tempo e a paciência da equipa. E ensina os clientes a não prestar atenção.
3. Quando gozarem consigo, faça um bolo. Aquilo que dizem de si, mesmo a brincar, pode ser o seu melhor ativo. As marcas mais fortes não fogem das alcunhas. Adotam-nas.
Três perguntas para esta semana
- Qual é a saída que a sua marca escolheu para este ano?
- Que ações repete há mais de seis meses sem saber se funcionam?
- O que é que dizem de si, até a gozar, que podia transformar numa vantagem?
Verdade seja dita.