Cem anos mais velha, para ser exato. A carta de feira é de 1392. O Colombo só chegou à América em 1492.

A 10 de janeiro de 1392, D. João I assinou a carta que criou a feira franca de Viseu. Portugal ainda nem tinha começado os Descobrimentos. Hoje, mais de seis séculos depois, é considerada a feira mais antiga da Península Ibérica em atividade. E continua a receber mais de um milhão de visitas por ano.

A pergunta que interessa não é porque é que é velha. É porque é que ainda está viva.

Mudou tudo. Menos o essencial.

A feira nasceu em maio, no dia da Santa Cruz, e durava um mês. Realizava-se junto à Cava de Viriato. Em 1501, D. Manuel I autorizou a mudança para dentro da cidade, porque o sítio era pouco salubre. Mais tarde passou para setembro, à volta do dia de São Mateus. Mudou de data, mudou de sítio e ganhou outro nome.

Em 1928 teve o primeiro cartaz. Em 1929 inventou-se um dia com entrada paga, o “Dia de Viriato”. Há quase cem anos, alguém em Viseu percebeu que não bastava existir. Era preciso anunciar.

Uma marca não é o logótipo, a data ou o sítio. É o ritual que as pessoas não querem perder.

O que é que isto tem a ver com a sua marca?

1. O ritual é a marca. Ninguém vai à feira pela programação. Vai porque é setembro, porque é a feira, porque sempre foi. Qual é o momento que os seus clientes associam a si? Se não existe, crie-o.

2. Mudar não é trair. A feira mudou quase tudo em seis séculos e ninguém a acusa de ter perdido a identidade. Há empresas com cinco anos que não mexem em nada “porque sempre foi assim”.

3. Existir não chega. Em 1928 já se fazia cartaz. Em 2026 há empresas com excelentes produtos que ninguém conhece, porque acham que a qualidade se anuncia sozinha.

Três perguntas para esta semana

  • Qual é o “setembro” da sua marca, o momento em que os clientes sabem que vão ter consigo?
  • O que é que continua a fazer só porque sempre foi assim?
  • Quando foi a última vez que disse às pessoas que existe?

Verdade seja dita.

Ricardo MatiasVolupio