Viseu é uma das poucas capitais de distrito sem comboio. Está assim desde 1990. E, pelos vistos, ninguém ficou à espera na estação.

Quem tem idade para isso lembra-se do apito. A Linha do Dão chegou a Viseu em 1890 e a do Vouga em 1913. Durante quase um século, era de comboio que se chegava e se partia. Em 1990, as duas linhas fecharam e a estação ficou sem comboios.

A cidade podia ter ficado a olhar para os carris. Não ficou. Fez-se à estrada, cresceu e, entre 2007 e 2011, a antiga Linha do Dão transformou-se na Ecopista do Dão, onde hoje se anda de bicicleta onde antes passava o comboio.

O marketing sem comboio

Todas as empresas já perderam um “comboio”. O alcance orgânico do Facebook que desapareceu. A feira que deixou de se fazer. O cliente grande que representava metade da faturação. O distribuidor que fechou. Um dia o canal está lá. No dia seguinte, já não.

Quando o comboio deixa de passar, há duas opções: ficar na estação ou fazer-se à estrada.

O que é que isto tem a ver com a sua marca?

1. Quando um canal fecha, não fique na estação. Chorar o alcance que se perdeu não traz clientes. Procure onde eles estão agora e vá lá ter.

2. Um só caminho é um risco. Se a sua empresa depende de um só canal, de um só cliente ou de uma só rede social, está a um anúncio de fecho de ficar parada.

3. O que é velho pode ganhar vida nova. A linha de comboio virou ecopista. A lista de clientes antigos, a newsletter esquecida ou o produto que saiu de catálogo também podem voltar a servir.

Três perguntas para esta semana

  • Se o seu principal canal fechasse amanhã, por onde chegavam os clientes?
  • Quantos caminhos diferentes trazem hoje clientes à sua empresa?
  • Que “linha antiga” tem parada e podia transformar em algo novo?

Verdade seja dita.

Ricardo MatiasVolupio