Fotografar leitão ou frango de churrasco devia contar como desporto radical.
A pele estala, o cheiro sobe, a travessa brilha. E a regra é clara: primeiro a fotografia, depois… depois nada, porque o prato é para os clientes do restaurante. Há poucas profissões em que se passa tanta fome a olhar para comida.
Em Angola, o cacimbo é o frio
Em Angola, o cacimbo é a estação fresca e seca, das manhãs de nevoeiro. Em Viseu, é o nome de um restaurante que abriu a 6 de janeiro de 1976, fundado por Aurélio de Figueiredo Loureiro e Maria Isaura Loureiro. O nome não é um acaso: é a forma de a casa dizer de onde vem, das suas raízes angolanas.
Na mesa, a história é beirã: o leitão, o frango de churrasco e cabrito assado, grelhados e sobremesas caseiras. Em 2026, o Cacimbo faz 50 anos. Meio século a servir a mesma cidade, sem fugir da especialidade.
Um bom nome não descreve o que se vende. Conta de onde se vem.
O defeito
Não tem nada de moderno. Não há espuma de beterraba, nem prato de ardósia, nem menu de degustação em sete tempos. Há leitão, há frango de churrasco, cabrito e travessas generosas. Para quem procura novidade, é um defeito. Para quem procura um almoço de domingo como deve ser, é a razão para voltar.
O que é que isto tem a ver com a sua marca?
1. O nome pode contar a sua história. “Cacimbo” não explica o que se come, mas explica quem são. Um nome com história vale mais do que um nome que descreve.
2. Uma especialidade vale mais do que um menu infinito. Quem é conhecido por uma coisa é lembrado. Quem faz tudo é esquecido.
3. Cinquenta anos são a melhor campanha. A consistência não aparece nos anúncios, mas é a razão pela qual os clientes trazem os filhos, e depois os netos.
Onde provar
Na Rua Alexandre Herculano, 95, em Viseu, também com take-away. A nossa sugestão: o leitão. Claro.
Isto não é publicidade. (É uma recomendação de quem nunca provou a travessa da sessão fotográfica.)