Há semanas em que as garrafas da Adega de Silgueiros vivem em cima da secretária.
Fotografamo-las, rodamo-las, pomo-las à luz e à sombra, e escrevemos sobre o que têm lá dentro. Só não as podemos abrir. É como trabalhar numa pastelaria de dieta. Chama-se profissionalismo, dizem-nos. Nós chamamos-lhe tortura. Mas ao menos podemos contar tudo o que sabemos sobre ele.
A adega com 2.000 patrões
A Adega de Silgueiros é uma cooperativa de cerca de 2.000 viticultores da freguesia de Silgueiros, a 9 km do centro de Viseu. Nasceu entre o fim dos anos 50 e o início dos anos 60 (as fontes não se entendem sobre o ano, o que numa cooperativa com 2.000 sócios não espanta ninguém) e começou a vender vinho em 1964.
Fica no que se costuma chamar o coração do Dão, uma das regiões demarcadas mais antigas do país, de 1908. As vinhas estão entre os 400 e os 500 metros de altitude, viradas para a Serra da Estrela e para o rio Dão, na região que reclama ser o berço da Touriga Nacional e do Encruzado.
Não é o vinho de uma família. É o vinho de uma freguesia inteira.
O defeito
Imagine uma reunião com 2.000 donos. Nós também não conseguimos. Numa cooperativa, decidir é mais lento, e agradar a todos é impossível. Mas é exatamente por isso que o vinho de Silgueiros tem uma coisa que nenhuma marca consegue inventar: uma aldeia inteira por trás de cada garrafa.
O que é que isto tem a ver com a sua marca?
1. A origem vende mais do que o rótulo. “Dão” e “Silgueiros” dizem ao cliente mais do que qualquer slogan. Se a sua origem é uma vantagem, ponha-a à frente.
2. Uma marca coletiva é difícil de gerir e impossível de copiar. Qualquer concorrente pode imitar um rótulo. Ninguém consegue imitar 2.000 viticultores e mais de sessenta anos de história.
3. Consistência ganha à criatividade de ocasião. Uma cooperativa não muda de ideias todos os meses, e isso é uma força. As marcas que duram são as que dizem a mesma coisa durante muito tempo.
Onde provar
Na loja da adega, em Loureiro de Silgueiros, a 9 km do centro de Viseu, e em adegasilgueiros.pt. Leve alguém para conduzir no regresso.
Isto não é publicidade. (Mas, se for a Silgueiros, prove por nós.)